A urticária crônica espontânea (UCE) é uma doença inflamatória caracterizada pelo aparecimento recorrente de placas avermelhadas na pele, geralmente acompanhadas de coceira intensa e, em alguns casos, angioedema. A condição pode impactar significativamente a qualidade de vida, afetando sono, produtividade e bem-estar emocional.
Os anti-histamínicos antagonistas do receptor H1 (H1-AH) são considerados tratamento padrão. No entanto, muitos pacientes permanecem sintomáticos mesmo com o uso dessas medicações, inclusive em doses acima das recomendadas, o que evidencia a necessidade de novas opções terapêuticas para o controle adequado da doença.
Dupilumabe: mecanismo de ação e potencial terapêutico
O dupilumabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia as vias de sinalização das interleucinas IL-4 e IL-13, citocinas envolvidas na inflamação do tipo 2. O medicamento já é aprovado para outras doenças inflamatórias associadas a esse perfil imunológico e vem sendo estudado como alternativa no tratamento da urticária crônica espontânea não controlada.
Estudo reforça eficácia do dupilumabe na UCE
Os dados foram apresentados em artigo elaborado por Thomas B. Casale e colaboradores, publicado no JAMA Dermatology em fevereiro. O estudo avaliou a eficácia e a segurança do dupilumabe em pacientes com UCE que nunca haviam recebido terapia anti-imunoglobulina E (anti-IgE) e que permaneciam sintomáticos apesar do uso de anti-histamínicos.
O estudo de fase 3 LIBERTY-CSU CUPID-A já havia demonstrado redução significativa na coceira e na gravidade das lesões cutâneas. Para atender às exigências regulatórias da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, foi conduzido um estudo replicado, o CUPID-C.
Resultados do estudo CUPID-C e análise combinada
O CUPID-C, realizado entre 2022 e 2024 em 10 países da Ásia, Europa e Américas, incluiu 151 participantes com idades entre 6 e 80 anos. A média de idade foi de 44,7 anos, e 70,2% dos participantes eram mulheres. Mais da metade utilizava anti-histamínicos em doses superiores às recomendadas, e quase 60% apresentavam alta atividade da doença no início do estudo.
Após 24 semanas, os pacientes tratados com dupilumabe apresentaram melhora significativa tanto na intensidade da coceira — avaliada pelo Itch Severity Score em 7 dias (ISS7) — quanto na atividade da urticária — medida pelo Urticaria Activity Score em 7 dias (UAS7) — em comparação com o placebo.
A redução média no ISS7 foi de −8,64 pontos com dupilumabe versus −6,10 com placebo. Já no UAS7, a redução foi de −15,86 pontos com dupilumabe versus −11,21 com placebo, diferenças estatisticamente significativas.
A análise combinada dos estudos CUPID-A e CUPID-C, totalizando 289 participantes, demonstrou que as melhorias na coceira e na atividade da urticária com dupilumabe começaram a ser observadas a partir da terceira semana de tratamento e se mantiveram ao longo do acompanhamento.
Segurança e implicações clínicas
Em relação à segurança, os resultados foram consistentes com o perfil já conhecido do medicamento. Na análise conjunta, eventos adversos emergentes do tratamento foram relatados por 53,5% dos pacientes que receberam dupilumabe e por 55,9% dos que receberam placebo, indicando perfil de tolerabilidade semelhante entre os grupos.
Os achados confirmam que o dupilumabe reduz de forma significativa a atividade da urticária crônica espontânea, incluindo coceira e gravidade das lesões, em pacientes anti-IgE–naive que permanecem sintomáticos apesar do tratamento com anti-histamínicos. Os dados reforçam o potencial do medicamento como opção terapêutica para uma população que frequentemente enfrenta impacto relevante na qualidade de vida devido à persistência dos sintomas.
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