A rosácea é uma doença inflamatória crônica que pode apresentar diferentes manifestações clínicas e representar um desafio terapêutico, especialmente nos quadros moderados a graves. Embora diversas opções tópicas estejam disponíveis, ainda existem dúvidas sobre como elas se comparam em termos de eficácia e tolerabilidade.
Uma revisão sistemática com meta-análise em rede publicada no JAMA Dermatology trouxe novos dados para essa discussão ao comparar diferentes tratamentos tópicos utilizados em adultos com rosácea moderada a grave.
Mais de 11 mil pacientes avaliados
Os pesquisadores analisaram 32 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 11.399 adultos e 10 intervenções tópicas diferentes. A maioria dos estudos acompanhou os participantes durante períodos de 8 a 16 semanas.
Entre os principais desfechos avaliados estavam a redução do número de lesões inflamatórias, o sucesso na Avaliação Global do Investigador (IGA) e a interrupção do tratamento devido a eventos adversos.
Ivermectina e peróxido de benzoíla encapsulado se destacaram
Na comparação com o metronidazol tópico, tanto a ivermectina quanto o peróxido de benzoíla encapsulado apresentaram maior redução no número de lesões inflamatórias e maior probabilidade de sucesso segundo a avaliação global realizada pelos investigadores.
Os resultados sugerem, portanto, que essas duas opções podem oferecer maior eficácia em curto prazo entre as terapias tópicas avaliadas e aprovadas pela FDA para rosácea.
E quanto à tolerabilidade?
A eficácia, entretanto, não deve ser analisada isoladamente.
De maneira geral, a frequência de interrupção devido a eventos adversos foi semelhante entre os tratamentos. Uma diferença importante apareceu com o peróxido de benzoíla encapsulado, associado a uma frequência maior de descontinuação por eventos adversos quando comparado ao metronidazol.
Esse achado reforça um aspecto fundamental no manejo da rosácea: a escolha terapêutica deve considerar não apenas a capacidade de controlar as manifestações da doença, mas também a tolerabilidade e as características individuais de cada paciente.
Ainda há perguntas a serem respondidas
Apesar dos resultados, os próprios autores apontam limitações importantes. Como a maioria dos estudos teve acompanhamento de apenas 8 a 16 semanas, ainda são necessárias pesquisas que avaliem melhor a eficácia e a tolerabilidade em longo prazo.
Também houve dados insuficientes para uma análise quantitativa robusta de alguns desfechos relevantes, incluindo resultados relatados pelos próprios pacientes e avaliação do eritema.
O que o estudo acrescenta à prática clínica?
A revisão amplia as evidências disponíveis para orientar a escolha entre tratamentos tópicos da rosácea moderada a grave. Ivermectina e peróxido de benzoíla encapsulado apresentaram vantagens de eficácia em relação ao metronidazol no curto prazo, embora diferenças de tolerabilidade devam ser consideradas, especialmente no caso do peróxido de benzoíla encapsulado.
Mais do que apontar uma única opção como ideal, os resultados reforçam a importância de individualizar o tratamento, considerando apresentação clínica, resposta terapêutica, tolerabilidade e preferências do paciente.
Referência: Amstutz AV, Sánchez-Feliciano A, Dewey E, et al. Topical Preparations for Moderate to Severe Rosacea Treatment: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. JAMA Dermatology. 2026;162(8):787-794.