Estudo revela clonotipos de receptores de células T associados à progressão e pior prognóstico na micose fungoide e síndrome de Sézary

Um estudo de coorte retrospectivo conduzido por Crisan L. et al. e publicado no JAMA Dermatology trouxe novas evidências sobre o papel dos receptores de células T (TCR) na progressão da micose fungoide (MF) e da síndrome de Sézary (SS) — dois tipos raros de linfomas cutâneos de células T.

Objetivo do estudo

O principal objetivo foi investigar a relação entre clonotipos de TCR e os desfechos de sobrevida dos pacientes, avaliando como o perfil molecular das células T pode impactar o curso clínico da doença.

Metodologia

Foram analisados 125 pacientes com MF/SS em estágios IA a IVB, que passaram por sequenciamento de nova geração (NGS) dos genes TCR β (TCRB) e TCR γ (TCRG) em amostras de biópsia cutânea coletadas entre junho de 2020 e outubro de 2024. A análise estatística foi conduzida entre novembro de 2024 e abril de 2025.

Principais resultados

  • Clonotipos TCRB e/ou TCRG foram identificados em 78% dos pacientes.
  • Segmentos clonais TCRB e TCRG foram detectados em 57,6% e 73,6% dos casos, respectivamente.
  • O clonotipo Vβ20 mostrou associação significativa com foliculotropismo e transformação em grandes células, sendo mais frequente em estágios avançados da doença.
  • O clonotipo Vγ8 também esteve relacionado a estágio avançado e menor sobrevida global.
  • Uma maior abundância clonal de TCRG correlacionou-se com aumento da expressão dos pontos de controle imunológicos PD-1 e ICOS, mas não de PD-L1.

Conclusões e implicações clínicas

A análise detalhada dos repertórios de TCRB e TCRG revelou clonotipos específicos associados a formas mais agressivas da micose fungoide e da síndrome de Sézary.

Esses resultados destacam o potencial clínico do sequenciamento de TCR como ferramenta de estratificação de risco. Incorporar essa análise na prática médica pode permitir:

  • A identificação precoce de pacientes de alto risco;
  • O planejamento de estratégias terapêuticas personalizadas e intensivas;
  • Um monitoramento mais preciso, com impacto direto na melhoria dos desfechos clínicos.

Conclusão

O estudo reforça a importância de integrar biomarcadores imunológicos e genômicos na avaliação de pacientes com linfomas cutâneos de células T, abrindo caminho para uma oncologia mais personalizada e preditiva.