Queratose actínica: desafios atuais e questões sem resposta.


Uma revisão publicada por Malvehy et al. (JEADV, junho 2024) teve como objetivo fornecer uma visão geral das características da queratose actínica (QA) e da cancerização do campo cutâneo.

As queratoses actínicas são lesões cutâneas comuns, geralmente consideradas pré-cancerosas ou histologicamente como carcinoma espinocelular in situ. Hiperceratóticas, surgem em áreas da pele cronicamente expostas ao sol, como face, couro cabeludo, pescoço e extremidades.

Risco de progressão das QA para CEC e CBC

Qualquer lesão única de QA possui três resultados possíveis: permanecer estável, regredir e resolver espontaneamente ou transformar-se em carcinoma de queratinócitos (câncer de pele não melanoma), especialmente carcinoma espinocelular (CEC). As taxas de regressão e progressão variam amplamente de acordo com diferentes estudos.

Um estudo de 2009 identificou 7.784 lesões de QA na face e nas orelhas de 169 indivíduos em uma população de alto risco, descobrindo que quase 65% dos CECs primários e 36% dos carcinomas basocelulares (CBCs) primários surgiram de lesões de QA.

“O risco de progressão de QA para CEC é baixo, com taxas de progressão calculadas entre 0% e 0,075% por lesão-ano, com risco de até 0,53% por lesão em pacientes com história de carcinoma de queratinócitos. Se múltiplas lesões de QA (>5) estiverem presentes e acompanhadas por sinais de dano actínico crônico ou cancerização de campo, o risco de conversão maligna aumenta rapidamente.”

 

Fatores de risco

Segundo os autores, pacientes imunocomprometidos apresentam um risco maior de desenvolver QA, incluindo receptores de transplantes de órgãos que tomam medicamentos imunossupressores (que têm até 250 vezes mais probabilidade de desenvolver QA), além dos pacientes com sistema imunológico enfraquecido causado pela doença.

Homens com idade avançada (acima de 70 anos), pele Fitzpatrick tipos I e II, calvície severa, enrugamento da pele e alta tendência a queimaduras solares estão significativamente associados a danos actínicos extensos. A QA também tem sido associada à exposição a metais pesados e a certos tipos de papilomavírus humano (HPV).

 

O que os autores concluíram

A queratose actínica na pele danificada pelo sol é um indicador importante de risco aumentado para o câncer cutâneo. Dessa forma, é preciso ampliar (e melhorar) a educação sobre proteção solar e a intervenção precoce para reduzir as alterações malignas no campo cancerizado. A deteção precoce do carcinoma espinocelular (CEC) pode reduzir a incidência e o impacto do câncer cutâneo, além de levar a uma reduções de custos.

 

TAKEAWAY MESSAGE:

Múltiplas lesões e a cancerização de campo devem ser tratadas eficientemente com produtos tópicos, mas até o momento não há evidências sobre quais lesões irão regredir. Para os autores, deve-se ponderar o equilíbrio entre a tolerabilidade do tratamento e a eficácia.

 

 Leia aqui o artigo na íntegra

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jdv.19559

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