Doenças crônicas da pele na infância: estigmatização e impacto na saúde mental


Como a extensão da estigmatização está associada à visibilidade da doença, gravidade, saúde mental e qualidade de vida em crianças e adolescentes com distúrbios crônicos da pele?

A partir desta questão, Paller et al. (JAMA Dermatology, abril 2024) realizaram um estudo transversal com 1.671 crianças (57,9% do sexo feminino; idade média [DP], 13,7 [2,7] anos), conduzido em 32 centros de dermatologia pediátrica nos Estados Unidos e Canadá, de 14 de novembro de 2018 a 17 de novembro de 2021.

Um total de 56,4% dos participantes relatou alta visibilidade da doença e 50,5% apresentaram gravidade moderada.

Resultados

Entre as crianças com doenças cutâneas crônicas – predominantemente acne, dermatite atópica, alopecia areata e vitiligo – apenas 27,0% tiveram escores T inferiores a 40 (estigma mínimo ou nenhum estigma) e 43,8% tiveram estigma ao menos moderado (escore T ≥45) em comparação com crianças com uma série de doenças crônicas.

Os escores de estigma correlacionaram-se fortemente com qualidade de vida reduzida (Spearman ρ = 0,73), depressão (ρ = 0,61), ansiedade (ρ = 0,54) e relacionamentos ruins com colegas (ρ = −0,49). No geral, 29,4% dos pais estavam cientes do bullying contra seus filhos, fortemente associado ao estigma (Cohen d = −0,79, com crianças que não foram vítimas de bullying apresentando níveis mais baixos de estigma). As meninas relataram mais estigma que os meninos (Cohen d = 0,26).

Crianças com hiperidrose e hidradenite supurativa tinham maior probabilidade de apresentar depressão e ansiedade.

Achados importantes

Dentre os achados do estudo, o estigma foi um importante fator associado à qualidade de vida e foi correlacionado com a depressão. As pontuações do estigma diferiram com base no nível de gravidade e visibilidade.

 Para concluir

Segundo os autores, os resultados deste estudo sugerem que a avaliação médica da gravidade e visibilidade da doença é insuficiente para avaliar o impacto da doença no paciente/cuidador. Assim, identificar a estigmatização (incluindo o bullying) e acompanhar a melhoria através de intervenções médicas e psicossociais pode ser um papel fundamental para os profissionais.

Leia aqui o artigo na íntegra https://jamanetwork.com/journals/jamadermatology/article-abstract/2817886

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