Infecção por vírus do herpes simples em um neonato, durante migração para a Alemanha


Tema que causa bastante preocupação entre os profissionais de saúde atualmente, o processo migratório é uma realidade que assola diversos países. Por este motivo, a disseminação de doenças infecciosas neste cenário se tornou um grande problema. Tanto que, no primeiro dia do World Congress of Dermatology (WCD 2019), realizado em Milão, foram apresentados tópicos sobre doenças de pele disseminadas pelos imigrantes.

A Guerra da Síria é uma das maiores responsáveis pelo fluxo de pessoas para outros países. Com o objetivo de destacar a situação de saúde vivida por mulheres refugiadas sírias – gestantes e seus bebês – um artigo publicado no Travel Medicine and Infectious Disease – o jornal oficial da Sociedade Latino-Americana de Medicina de Viagem – expôs o caso de um neonato sírio, acolhido em um centro de refugiados na Alemanha, que quase faleceu devido a uma infecção disseminada pelo vírus do herpes simples tipo 1.

A infecção por este vírus é uma ameaça incomum, porém grave aos neonatos. A maioria das infecções por HSV neonatal são adquiridas de forma intrauterina (5%) ou por transmissão periparto (85%). O menino, de 5 dias de idade, foi transferido para uma unidade neonatal por presumível sepse e insuficiência hepática. Sua condição clínica se deteriorou e ele apresentou múltiplas lesões vesiculares orais.

Com suspeita de infecção pelo vírus do herpes simples neonatal, foi obtido líquido cefalorraquidiano (LCR) e iniciado tratamento com aciclovir. Ao quadro, foram somadas complicações causadas por insuficiência hepática aguda, alta demanda de vários produtos de coagulação, insuficiência renal e hemorragia intraventricular. DNA do HSV tipo 1 foi encontrado no LCR e no plasma. Dessa forma, foi diagnosticado HSV neonatal grave e disseminado.

Assim, seguiu-se um tratamento com ventilação invasiva, correção de coagulação e terapia antiviral, mas somente após duas semanas de aciclovir a carga viral foi menor do que 70 cópias / ml. O menino melhorou e suas funções hepática e renal estavam normais. O tratamento com o aciclovir (300 mg) foi continuado por seis meses. Felizmente, aos 2 anos de idade, o resultado de seu neurodesenvolvimento foi totalmente normal.

Fonte: http://bit.ly/2XQVaLC

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